Tecnologias e currículo: oportunidade de dar autonomia e protagonismo aos alunos

27/01/22

Tecnologias e currículo: oportunidade de dar autonomia e protagonismo aos alunos

A tecnologia perpassa praticamente todas as esferas da nossa vida: está em aparelhos óbvios, como celulares e computadores, também está nos cartões magnéticos de ônibus e bancos, nos elevadores, na biometria, no GPS, na televisão e por aí afora. De tão onipresente, ela parece quase invisível. Como fazer, então, para problematizar e levar a tecnologia para dentro da sala de aula? Como integrar o estudo da tecnologia ao currículo da escola respeitando as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular?

Na sala de aula, faz tempo que a tecnologia costuma aparecer em vídeos, apresentações de slides, animações, uso de softwares e jogos eletrônicos e livros interativos. Com a imprevista chegada da pandemia de coronavírus, professores, gestores, pais e responsáveis se viram obrigados a ampliar o uso da tecnologia a fim de possibilitar o ensino à distância e, posteriormente, o ensino híbrido. A educação remota emergencial trouxe desafios gigantes: segundo a pesquisa TIC Educação de 2020, 86% das escolas relataram que parte dos alunos não tinha dispositivos como computadores e celulares em casa ou não possuía acesso à Internet.

Ao mesmo tempo em que houve uma dificuldade em lidar com a falta de tecnologia, muitos professores também encontraram nas ferramentas digitais os meios para manter o engajamento dos alunos. Cerca de 90% dos gestores escolares afirmaram ter criado grupos em aplicativos e redes sociais e mais da metade utilizou plataformas virtuais de aprendizagem. Embora a adoção massiva da tecnologia tenha ocorrido no contexto de emergência, é certo que foi estabelecida uma excelente base para aprofundar conhecimentos e criar novos usos que envolvam os alunos e os tornem protagonistas do próprio aprendizado.

O curso Escola Digital: tecnologias e currículo traz uma importante reflexão sobre o impacto da presença da tecnologia na vida dos estudantes. Para auxiliar nesse percurso de reflexão, os professores terão a oportunidade de explorar a plataforma Escola Digital, na qual será apresentado o conceito de objetos digitais de aprendizagem (ODAs). Os ODAs são recursos digitais voltados à educação, que podem ser desde plataformas de aprendizagem, passando por vídeos e fotos, até grupos de mensagens instantâneas. O curso propõe um estudo dos fundamentos da cultura digital, sobretudo a partir da Web 2.0, mas também ultrapassa o plano teórico, contando com módulos que operam um importante deslocamento: ir além do mero uso das ferramentas digitais para chegar à produção de ODAs.

Alunos no papel de produtores de imagens

Foi exatamente esse deslocamento que a professora Danielle Torres dos Santos colocou em prática na sua escola, no Rio de Janeiro. Uma das contempladas no sorteio "Transforme a Educação e Concorra a Prêmios", Danielle é participante assídua dos cursos da plataforma Escolas Conectadas. Ela conta que, sempre que possível, tenta incluir a cultura digital nas atividades desenvolvidas em sala de aula. “Apesar das várias dificuldades enfrentadas nas escolas públicas, onde trabalho”, relata a professora, “vejo claramente a necessidade de aprimorar meus conhecimentos e então transmitir ou criar atividades que mostrem ao aluno o sentido das novas tecnologias para o mundo”.

Danielle buscava inspiração no estudo das tecnologias e encontrou no curso Escola Digital: tecnologias e currículo a novidade da curadoria. Enfrentando os desafios trazidos pela pandemia de coronavírus, ela inventou uma maneira de potencializar esse conhecimento ao propor uma atividade de exposição virtual de fotografia, na qual o tema foi justamente o ambiente escolar nos tempos pandêmicos.

Na exposição Imagens do Contemporâneo na Escola, criada em 2021, a partir da provocação de lançar "um olhar atento para o cotidiano escolar", nas palavras da professora Danielle, podemos ver retratos de um mundo que, embora seja agora tão comum, não existia dois anos atrás. Ao explorar suas percepções singulares da escola, os alunos também criaram um memorial desse período atípico, porém profundamente transformador de suas vidas e da sociedade.

“Fiquei muito satisfeita em constatar que, além do uso de técnicas para fotos, meus alunos apresentaram reflexões nas imagens”, conta Danielle, que, mesmo orgulhosa dos resultados obtidos, ainda deseja aprofundar os trabalhos digitais e abrir o olhar dos alunos para novas experiências.

A atividade proposta por Danielle se alinha perfeitamente à ideia de produção de ODAs e também mobiliza os princípios da cultura digital de circulação de informação, investigação de formas de comunicação e de práticas sociais. Na construção coletiva de uma exposição, os alunos tornam-se autores da atividade, ganhando a oportunidade de apresentar seu olhar único aos colegas. Além disso, estreitam-se os laços de intimidade com a escola, pois, como já disse Georges Didi-Huberman, a fotografia é um método de olhar, mas também de ser olhado.

Outras linguagens para abarcar o mundo

Enquanto Danielle escolheu trabalhar com fotografia, os professores que concluírem o curso Escola Digital: tecnologias e currículo também terão as bases e as ferramentas para orientar a criação de revistas digitais, vídeos e podcasts, conectando os ODAs a diferentes áreas do conhecimento, ou seja, o professor vai refletir sobre o impacto da tecnologia na vida concreta dos estudantes, além de analisar e aplicar recursos tecnológicos em um diálogo crítico com a sociedade. Por outro lado, os estudantes vão desenvolver a capacidade de fazer um uso responsável da tecnologia e das redes de informação, aprimorar o letramento em recursos multimídia e deixar para trás o papel de meros consumidores de tecnologia para se tornarem produtores.

Como nem só de tecnologia se faz o futuro, é importante ressaltar que o curso atua também nas dimensões ética e política do uso das redes, para que tanto alunos quanto professores alcancem uma postura consciente no seu uso das tecnologias, seja na sala de aula, seja na rotina do dia a dia.

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