Educação antirracista: por que devemos levar esse tema para a escola?

08/02/23

Entenda a importância de pautar o antirracismo em sala de aula e recursos para colocá-lo em prática

 

Já há alguns anos, trabalhar questões relacionadas ao antirracismo tornou-se uma prioridade para os educadores. Em um mundo imerso na discussão racial, no qual seguem acontecendo inúmeros casos de violência racial - assim como segue crescendo os movimentos de resistência negra e combate ao racismo estrutural -, é evidente que a escola não pode ficar alheia a essa realidade. Pelo contrário: deve ser a primeira a debatê-la. 

Mais do que desenvolver a consciência sobre a existência e a prática criminosa do racismo – seja no mundo real ou ambiente virtual – é preciso agir ativamente nesse enfrentamento. O papel da formação escolar também é preparar futuros cidadãos prontos para se posicionarem na direção contrária ao preconceito.

A pauta antirracista pode ser trabalhada como tema primário, mas também deve ser integrada a demais conteúdos da grade curricular. É dessa forma que o combate à discriminação e o respeito às diferenças passam de temas de estudos para atitudes naturalizadas.

 

Materiais para abordar o antirracismo

Para colocar o antirracismo em prática, você, educador, tem uma série de recursos à disposição, de livros a músicas. Dois pontos importantes no processo de selecioná-los é confirmar a presença de pessoas negras na autoria e como protagonistas das obras. 

Em debate nas redes sociais do Grupo Mulheres do Brasil, a fundadora do Criando Crianças Pretas, Deh Bastos, afirmou que “a negação do racismo estrutural é um dos maiores desafios da nossa sociedade". Precisamos nos questionar em que lugar estamos vendo os corpos pretos, porque é essa presença ou ausência que vai normalizar essa relação.”

Confira alguns conteúdos que podem ser úteis nesse sentido: 

 

Livros

Se você já usa livros como base para suas práticas pedagógicas, conheça algumas obras que trazem abordagens diferentes sobre a pauta antirracista. O livro “O Mar que Banha a Ilha de Goré” (Kiusam de Oliveira) aborda uma ilha localizada na costa do Senegal que foi centro de escravização, mas também do protagonismo negro. 

Já os quadrinhos “Jeremias – Pele” contam histórias do primeiro personagem negro da Turma da Mônica, que dessa vez é protagonista no 18º álbum pela Graphic MSP. Na obra, Mauricio de Sousa convida artistas para criarem novas versões das histórias clássicas.

Para o educador que quiser se aprofundar no assunto, a dica é o livro Como ser um educador antirracista, de Bárbara Carine. Na obra, a autora esmiúça conceitos ligados à luta antirracista e convida os leitores a desenvolverem práticas antirracistas em sala de aula e também na vida.

 

Filmes

Produções audiovisuais são opções para combinar aprendizagem e entretenimento. O curta animado “Hair Love” aborda a relação de uma família preta com os cabelos. A série “Fábulas da Conexão” traz curta-metragens ilustrados sobre temas como ancestralidade e afrofuturismo. Outra série, “Bia Desenha”, é protagonizada por uma menina negra de cinco anos ao lado de seu primo.

Das produções recentes do cinema brasileiro, destacam-se filmes como “Café com Canela”, dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio, que trata de luto e superações,  tendo duas atrizes negras como protagonistas. Já o filme “Marte Um”, pré-indicação brasileira ao Oscar de 2023, dirigido por Gabriel Martins, apresenta a história de uma família negra que mora na periferia de Contagem (MG). Por fim, o documentário “Chico Rei entre nós”, dirigido por Joyce Prado, narra a história de um lendário rei congolês que, em meados do século 18, teria sido arrancado de sua terra e escravizado no Brasil, comprando a própria liberdade e tornando-se rei em Ouro Preto (MG).

 

Recursos auditivos

A música “Sementes”, de Emicida e Drik Barbosa, escrita para o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil (12 de junho), traz uma crítica à realidade da infância em periferias. Outras obras famosas que oferecem diversas possibilidades de debate sobre racismo, periferia, sociedade, identificação, direitos e orgulho negro são A Carne, de Elza Soares; “Zé do Caroço”, de Leci Brandão; Zumbi, de Jorge Ben Jor; Olhos Coloridos, de Sandra de Sá; e Negro Drama, dos Racionais MCs.

Já o podcast “Negro da Semana”, feito pelo escritor Alê Garcia, traz como tema as próprias personalidades negras, suas conquistas e protagonismos. Por sua vez, o podcast Reconhecer e Reparar, do canal Futura, reúne diversas organizações do movimento negro para conversar sobre temas fundamentais para a construção de uma sociedade antirracista.

 

Publicação digital sobre antirracismo

Na Fundação Telefônica Vivo, a educação voltada ao combate do racismo já foi tema da publicação digital “Escola para Todos: Promovendo uma Educação Antirracista”. O material foi lançado em um encontro online que reuniu as autoras Carolina Chagas Schneider e Fernanda Chagas Schneider, além da escritora Conceição Evaristo, referência em publicações desse e de outros temas.

A publicação foi elaborada durante mais de seis anos, junto a educadores de todas as etapas da Educação Básica do Brasil. Além dos capítulos teóricos, a obra reúne 22 planos de aula práticos, relacionados com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e comentados pelas autoras.

A proposta trazida no livro é de ambiência racial, ou seja, como o ambiente escolar pode (e deve) contemplar a diversidade.

 

Introdução à educação antirracista: aprofunde-se no assunto

Falar sobre educação antirracista é mais do que uma nova proposta pedagógica: faz parte do cumprimento Leis nº 10.639 e 11.645. Mas como colocar tantos conceitos complexos em prática no conteúdo programático? É esse ensinamento que está presente no curso Introdução à Educação Antirracista.

A formação é dividida em sete competências e uma atividade avaliativa e está totalmente alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Os principais objetivos traçados pelas autoras e professoras Carolina e Fernanda Chagas Schneider são que os educadores possam avaliar a qualidade da educação antirracista, implementem a Educação das Relações Étnico-Raciais, compreendam e apliquem o conceito de ambiência racial e sensibilizem o olhar dos alunos sobre o tema.

 

Conheça e aproveite o início do ano letivo para aprender sobre o antirracismo com o curso da plataforma Escolas Conectadas!

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