Esperançando em Parintins: conheça a história da professora Maria Auxiliadora

24/06/21
Se Paulo Freire tivesse conhecido a professora Maria Auxiliadora Ferreira da Costa, de Parintins, poderia dizer que a colega de profissão vive o esperançar que ele definiu em Pedagogia do Oprimido.

“Não é, porém, a esperança um cruzar de braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto e, se luto com esperança, espero.

Maria Auxiliadora decidiu esperançar enquanto a pandemia não é controlada no Brasil. Professora de Língua Portuguesa na escola estadual Dom Gino Malvestio, em Parintins, no Amazonas, trabalha desde março de 2020 via WhatsApp com oito turmas de Ensino Médio. 

Cada ano tem um grupo no aplicativo e, conforme horários previamente combinados, Maria Auxiliadora cria atividades no computador e envia os arquivos em PDF por ali. É o grupo também o principal ponto de encontro dos jovens, espaço no qual eles trocam opiniões e posicionamentos sobre as atividades e os debates que a professora promove. De acordo com a professora, é o meio mais certeiro para que a maior parte dos estudantes receba o conteúdo, em função das dificuldades de conexão. Ela avalia que, em média, 30% dos alunos se manifeste e participe nos grupos. Os outros apenas visualizam. 

— Eles lutam para estar ali, competindo tête-à-tête com aquele garoto privilegiado que tem toda uma infraestrutura. Vejo e me orgulho de perceber a luta desses meninos. Me orgulho de sempre tentar dar o meu melhor para que sigam em frente. Nada de coisa pouca, eu não quero água com açúcar, não quero mormaço. Quero fogo, explosão, resiliência. Quero que enfrentem a vida como ela é. Tem que ter sensibilidade, mas eles sabem que não é fácil. Vamos em frente, vamos à luta, não vamos esperar por ninguém não! — declara Maria Auxiliadora.

Os estudantes da professora Maria Auxiliadora enfrentam uma dura realidade do Estado do Amazonas, que ficou mundialmente conhecido com o alto índice de infectados e mortos em decorrência da Covid-19 no primeiro trimestre de 2021. A própria professora também foi infectada e viveu um período de internação. Hoje faz fisioterapia para recuperação das sequelas.

Passada a internação, Maria Auxiliadora começou a fazer cursos no Escolas Conectadas. A educadora conheceu a plataforma por meio da parceria da Secretaria de Estado de Educação do Amazonas. O curso Mudanças de tempos e espaços para a inovação pedagógica trouxe novas perspectivas para o uso pedagógico do espaço escolar com os alunos. Planejar o futuro e uma eventual volta ao pátio da escola anima a professora em meio a uma rotina de contato virtual com os alunos.

— Eu vou dormir muito tarde! Meu marido diz que eu tô doida, mas eu gosto muito de estudar, de aprender e fico fazendo os cursos antes de dormir. Professor de língua portuguesa trabalha para caramba, não é fácil não!  — conta Maria Auxiliadora. 

A formação Mudanças de tempos e espaços para a inovação pedagógica foi o primeiro passo que a educadora deu a caminho da inovação educativa. O curso propõe uma análise da escola tradicional e, em seguida, ações e estratégias justamente para romper a ideia convencional, com alternativas e ideias para usar os espaços da escola - e de fora dela - na aprendizagem.

A educadora amazonense começou com o Mudanças e expandiu seus estudos na plataforma com o curso Eu, Robô! Primeiros passos com a robótica sustentável. Ela também já se matriculou em Fotografia na aprendizagem: novos olhares para construir o conhecimento, porque quer explorar as fotografias e vídeos que os alunos produzem e enviam no grupo da sala.

— Meus alunos gravam videozinhos caseiros e eles tentam fazer o melhor possível. Eu observo os espaços de morada deles e vejo ali pessoas extremamente carentes. Muita gente faz seus vídeos lá no interior do nosso município, vejo os espaços do homem e da mulher que querem ser gente, e isso é muito interessante nas produções deles — observa a professora.

Maria Auxiliadora já foi vacinada contra o coronavírus e torce para que as aulas presenciais da rede estadual amazonense retornem em agosto, com os colegas dela também vacinados. Por enquanto, ela vai esperançando no grupo das turmas no WhatsApp, incentivando que os estudantes continuem seu vínculo com a escola e os apoiando da melhor maneira possível agora. 

Como funcionam parcerias com a Secretaria de Educação

Secretarias, coordenadorias e instituições de Educação podem fazer parceria com o Escolas Conectadas para turmas exclusivas dos cursos oferecidos na plataforma. Maria Auxiliadora foi cursista pelas turmas especiais reservadas a servidores da educação do Estado do Amazonas. Nesses casos, a formação continua sendo gratuita para quem cursa e também colabora com a progressão de carreira.

Gestores e secretários que se interessarem em oferecer turmas exclusivas para seus professores devem contatar: suporte.parcerias@cieds.org.br

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