Potência das interações

06/10/20

Como lembram os Parâmetros Curriculares Nacionais, “para que possa refletir, participar e assumir responsabilidades, o aluno necessita estar inserido em um processo educativo que valorize tais ações” (BRASIL, 1997, p. 61). Essa valorização inclui a consideração de suas experiências, de seus conhecimentos prévios e da potência das interações professor-aluno e aluno-aluno na busca pela transição progressiva de situações em que o aluno é dirigido por outros para situações de autogoverno (BRASIL, 1997).

Ao promover métodos e abordagens com o enfoque descrito, escolas e educadores contribuem diretamente com o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, em sua dimensão duplamente moral e intelectual, que perpassa o conjunto de competências gerais da educação básica estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular. Essa perspectiva ampliada da autonomia, explicitada por Jean Piaget, sintetiza importantes objetivos educacionais, ao traduzir a capacidade de pensarmos por nós mesmos, analisarmos múltiplos pontos de vista e experimentarmos internamente a necessidade de tratarmos os outros como gostaríamos de ser tratados (PIAGET, 1994; KAMII e JOSEPH, 2005).

Nos cursos do caminho Relações, são abordadas estratégias pedagógicas cooperativas e demandas das construções que envolvem a comunidade escolar, de maneira a observar os direitos e sentimentos de todos. Também são destacados os princípios como balizadores das regras e a necessidade de descentração do ponto de vista individual para a tomada de decisões movidas por respeito, justiça, equidade e solidariedade.

Conheça um pouco das inspirações trazidas pelos cursos do caminho Relações ao dia a dia de professores e educandos.

Autoconhecimento e laços com as famílias>> Entre as muitas formações realizadas pela profa. Sueli Ferrari Heinz (Braço do Trombudo/SC) na plataforma Escolas Conectadas, esteve o curso Escola para todos: promovendo uma educação antirracista. Com base nas atividades propostas, seus alunos elaboraram árvores genealógicas e mapearam seus ancestrais, fortalecendo o autoconhecimento. A ação gerou também maior aproximação das famílias.
Literatura de cordel: comunidade na escola>> O prof. Gilson Franco (Fortaleza/CE), com base em conhecimentos construídos nos cursos da plataforma Escolas Conectadas, realizou com os estudantes e a comunidade escolar um projeto sobre a literatura de cordel, abordando, entre muitos ricos elementos, cultura local, oralidade e respeito ao próximo.
A escola vai a campo>> A partir do objetivo de apresentar a escola e o bairro no mês de aniversário do município (Caçador/SC), a professora e gestora Fátima Hammes uniu trabalho de campo, produções físicas e digitais. Na websérie Escolas Conectadas, ela relata a iniciativa de construção, por parte dos alunos, de réplicas de pontos turísticos do local em que vivem, de entrevistas com a comunidade, do registro desse trabalho em vídeo e da organização de um sarau temático com base na experiência. 

Referências:

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

KAMII, Constance; JOSEPH, Linda Leslie. Crianças pequenas continuam reinventando a aritmética: implicações da teoria de Piaget (séries iniciais). 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.

PIAGET, Jean. O juízo moral na criança. 4. ed. São Paulo: Summus, [1932], 1994.

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Dicas para aproveitar o período de descanso para cuidar de si e, aos poucos, retomar a rotina pedagógicaO período de férias é sempre um convite à reconexão. Depois de um ano intenso, marcado por demandas, projetos, imprevistos – e também muitas conquistas –, enfim chega o momento de desacelerar. Para quem vive a rotina escolar, essa pausa não é luxo, mas sim parte fundamental do trabalho. Cuidar do corpo, da mente e do descanso é o primeiro passo para iniciar bem o próximo ciclo letivo.As férias oferecem esse espaço. É tempo de dormir sem despertador, de recuperar a energia, de estar com quem faz bem, de colocar o corpo em movimento e de criar pequenos rituais que ajudam a reorganizar o cotidiano. São pequenas escolhas que reforçam o autocuidado e reduzem o estresse acumulado ao longo do ano.Como aproveitar as férias priorizando o bem-estar: Crie momentos de descanso real, sem culpa;Invista em atividades que renovam a energia: caminhadas, hobbies, eventos culturais;Busque apoio emocional quando necessário e fortaleça redes de convivência;Desconecte do ritmo acelerado da escola e reconecte-se ao próprio tempo.Mas também existe um outro movimento, tão natural quanto o descanso: aquele momento em que, já em meados de janeiro, a mente começa a se abrir novamente para a escola. Não é sobre transformar as férias em trabalho, e sim permitir que a rotina pedagógica volte devagar, com leveza. Uma leitura despretensiosa, uma anotação de ideia para um projeto futuro, a revisão de um conteúdo ou até a participação em uma formação gratuita e on-line podem ajudar a fazer essa transição de forma tranquila.Como retomar aos poucos a rotina pedagógica:Explore leituras leves sobre temas que inspiram o planejamento pedagógico;Revisite anotações e ideias acumuladas durante o ano;Realize formações curtas e flexíveis, que não pressionem o ritmo das férias;Mapeie objetivos pessoais para o ano letivo de 2026. Teste As férias podem ser esse intervalo que recarrega, reorganiza e abre espaço para um início de ano mais equilibrado. Ao cuidar de si e acolher o próprio tempo, é possível chegar a 2026 com mais disposição, presença e clareza para enfrentar novos desafios dentro e fora da sala de aula.

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