São inúmeras as possibilidades trazidas pelas tecnologias digitais ao contexto educacional. Cabe aos professores, entretanto, ponderar que usos são promissores ao desenvolvimento dos estudantes. Podemos nos indagar: ao utilizarmos apresentações multimídia para explanarmos conteúdos, construímos oportunidades para que os alunos levantem hipóteses ou tenham suas ideias confrontadas? Ao delimitarmos fontes on-line de pesquisa, abrimos espaço para que avaliem criticamente e selecionem informações?
Não há, em princípio, usos necessariamente produtivos ou contraproducentes, contanto que tenhamos em vista a abertura à ação por parte dos estudantes e estratégias para verificarmos como sua compreensão e aprendizagem avançam, o que nos permitirá auxiliá-los. Há uma gama de alternativas de aplicação das tecnologias para que estudantes expressem ideias, revelem seu olhar, comuniquem-se e compartilhem. Em algumas de suas facetas, como a programação e a modelagem, as tecnologias digitais oportunizam criações e compreensões que outros suportes não viabilizam, como a colocação de hipóteses à prova por meio de um script que não se mostra funcional, por exemplo. Trata-se de um contexto rico para a mobilização da curiosidade, que Edith Ackermann (2014) vincula ao "permitir-se intrigar quando um resultado não corresponde ao esperado e ao desejo de percorrer o caminho inverso para entender as razões". A cultura digital também inaugura potentes meios para a intervenção do professor, que, ao contar com a sistematização das aprendizagens dos alunos, pode identificar dificuldades e apoiar tomadas de consciência.
É papel do docente se questionar continuamente sobre como um mundo conectado transforma a relação do aluno com o conhecimento. Assim, poderá empreender ações com foco na fluência em novos letramentos em consonância com condutas éticas e responsáveis. Os cursos do caminho Cultura Digital enfatizam o potencial construtivo das tecnologias digitais, em alinhamento à perspectiva trazida por Seymour Papert (1994), segundo a qual a criança constrói tecnologia para aprender, em vez de ser ensinada por ela. Incentivam e orientam práticas com foco na criação, reflexão e resolução de problemas, fomentando o exercício da autoria que a construção do conhecimento demanda.
Confira algumas das contribuições dos cursos do caminho Cultura Digital a professores e alunos.
Arte e investigação>> A profa. Marilene Tavares de Souza (Urucará/AM) incorporou os celulares ao dia a dia com os alunos. Por meio da fotografia, uma das possibilidades dos dispositivos móveis, os aprendizes revelam suas curiosidades sobre o entorno da escola, realizam diagnósticos e produzem exposições, aliando arte e investigação.
Estudantes e famílias conectados para construir>> Antes da pandemia do novo coronavírus, a profa. Débora Pizapio Moreno (Corumbiara/RO) havia realizado um levantamento com seus alunos sobre acesso às tecnologias digitais e à conectividade. Hoje, os canais estabelecidos no início do ano são o principal meio de comunicação e compartilhamento com estudantes e famílias. O encorajamento para que os alunos se expressem, desenvolvam projetos e troquem ideias é constante.
Referências:
ACKERMANN, Edith. Pedagogical Perspective on Tinkering & Making. The Tinkering Studio. Entrevista. Tradução livre. Disponível em: <https://vimeo.com/104178407>. Acesso em: 13 agosto 2020.
PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
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